quinta-feira, junho 4, 2026
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Top U.S. Diplomat Engages with 58 Nations, Sidesteps Brazil

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, manteve conversas telefônicas ou realizou encontros pessoais com representantes de pelo menos 58 países durante o primeiro mês e meio do governo de Donald Trump. No entanto, o Brasil não esteve entre esses contatos. Essa informação foi apurada pela CNN com base nos registros do Departamento de Estado americano. A lista de contatos inclui, por exemplo, chanceleres ou primeiros-ministros de todos os membros do G20, exceto o Brasil e a África do Sul.

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, o secretário de Estado Rubio dialogou com autoridades de dez países do continente americano, incluindo Canadá, México, Argentina, Costa Rica, El Salvador, Guiana, Jamaica, Panamá, República Dominicana e Venezuela. No caso da Venezuela, o contato foi com o líder oposicionista Edmundo González, considerado pelos Estados Unidos como o presidente legítimo.

Em janeiro, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta a Rubio parabenizando-o por sua nomeação, mas eles ainda não tiveram diálogo direto. Desde então, Trump tem mencionado o Brasil como um parceiro comercial que mantém tarifas elevadas sobre produtos americanos, como o etanol.

Além das questões comerciais, que são tratadas por outras áreas do governo, o Departamento de Estado se envolveu recentemente em uma controvérsia com o Brasil. Na semana passada, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, uma divisão do Departamento de Estado, postou nas redes sociais críticas ao Brasil, destacando que “bloquear o acesso à informação e multar empresas americanas por se recusarem a censurar indivíduos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão.” Em resposta, o Itamaraty emitiu uma nota acusando o escritório de distorcer decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a exigência de representantes legais para as big techs no país. A nota enfatizou que o governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e destaca a importância de respeitar a independência dos poderes, conforme a Constituição Federal de 1988.

Durante 45 dias, Marco Rubio conversou com líderes dos seguintes países:

– Europa (21 países): Polônia, Dinamarca, Lituânia, Letônia, Estônia, França, Reino Unido, Hungria, Itália, Alemanha, Comissão Europeia, Finlândia, Bélgica, Ucrânia, Suécia, Rússia, Grécia, República Tcheca, Irlanda, Chipre.
– Américas (10 países): Venezuela, Canadá, Costa Rica, República Dominicana, Guiana, Panamá, El Salvador, Argentina, México, Jamaica.
– Ásia (19 países): Filipinas, Índia, Japão, Indonésia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Turquia, Israel, China, Vietnã, Iêmen, Jordânia, Catar, Bahrein, Uzbequistão, Iraque, Omã, Cingapura.
– África (6 países): Egito, Congo, Marrocos, Argélia, Tunísia, Angola.
– Oceania (2 países): Austrália, Nova Zelândia.

Fontes da diplomacia brasileira indicam que esforços estão sendo feitos para estreitar relações com o Departamento de Estado dos EUA, liderados pela embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores avalia que questões como a deportação de brasileiros em voos precários podem ser tratadas por canais diplomáticos existentes, sem a necessidade de “subir de nível hierárquico”.

Uma oportunidade de contato entre Mauro Vieira e Marco Rubio, esperada pelo Itamaraty, foi a reunião de chanceleres em Joanesburgo, África do Sul, em fevereiro. Contudo, o secretário de Estado não compareceu, e a representação americana foi feita por uma encarregada de negócios da embaixada.

Segundo uma fonte diplomática ouvida pela CNN, existem vantagens na “omissão” do Brasil pela administração Trump. Mesmo aliados históricos dos EUA, como o Canadá e países europeus, têm sido tratados com “agressividade” pelo governo Trump. Nesse cenário, argumenta-se que para o Brasil, é mais benéfico não atrair excessiva atenção dos americanos do que ter uma linha direta de comunicação com Rubio.

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